Produção e entrega

Qualidade

O sistema de qualidade da operação: planos e pontos de inspeção, não conformidades com causa e ação, retrabalhos, reclamações, auditorias, fornecedores, documentos controlados, competências, FMEA, calibração e indicadores.

A lógica do módulo

A Qualidade responde três perguntas, e os três grupos do menu são exatamente essas perguntas.

GrupoPergunta que responde
InspeçãoO que está sendo conferido, com qual régua, e em que momento do processo.
TratamentoO que fazer quando algo sai errado, quem é o dono do problema e quanto ele custou.
GovernançaO que garante que o processo continua funcionando quando ninguém está olhando.

A cadeia é esta: o plano de inspeção é a régua; a inspeção aplica a régua e produz um resultado; quando reprova, nasce uma não conformidade, a RNC, com dono, prazo e custo; a RNC exige análise de causa; da causa nasce a ação corretiva; e a ação só se encerra quando alguém verifica a eficácia.

O ciclo não termina em concluir, termina em verificar. Essa é a diferença entre um sistema de qualidade e uma lista de tarefas: concluir a ação prova que alguém trabalhou, verificar prova que o problema parou de acontecer.

O módulo funciona em modos. Ele começa desligado, passa por um modo espelho, em que registra tudo e não trava nada, e só depois é promovido para ativo, quando os pontos de controle bloqueantes passam a barrar processo de verdade.

Antes de começar

O que precisa estar prontoPor quê
Módulo qualidade ativoÉ o que destrava o bloco no menu.
Catálogos de critérios e defeitosCritério é a pergunta; defeito é a resposta ruim. Sem os dois, o Pareto não aponta nada.
Pelo menos um plano publicadoSem plano publicado não existe inspeção, porque não existe régua.
Fuso horário configuradoOs servidores rodam em UTC. Sem o fuso, a inspeção das nove da noite cai no dia seguinte.
Período em modo espelhoÉ nele que se descobre que um ponto de controle está no lugar errado, sem parar a produção.

O mapa do menu

Item do menuO que faz
PainelModo do módulo, indicadores, Pareto de defeitos e RNC críticas.

Inspeção

Item do menuO que faz
InspeçõesA fila do dia, o que está barrado e o histórico.
Planos de inspeçãoA régua: seções, critérios, pesos, aceite e amostragem. Permissão: Screen:Qualidade:Config
Planos prontosModelos para copiar e adaptar.
Pontos de controleOs momentos do processo em que a conferência acontece.

Tratamento

Item do menuO que faz
Não conformidadesAs RNC com dono, prazo, custo e análise de causa.
Ações corretivasA ação que nasce da causa e encerra com verificação de eficácia.
RetrabalhosAs horas e o custo de refazer, somados à RNC de origem.
ReclamaçõesA reclamação formal, com prazo e vínculo com a RNC. Permissão: Screen:Qualidade:Reclamacoes

Governança

Item do menuO que faz
AuditoriasAuditoria por norma, com checklist, achados e evidência. Permissão: Screen:Qualidade:Auditoria
Qualidade do fornecedorO IQF calculado a partir das inspeções de recebimento. Permissão: Screen:Qualidade:Fornecedores
Documentos controladosProcedimentos com versão e pendência de leitura. Permissão: Screen:Qualidade:Documentos
Matriz de competênciasQuem está habilitado a quê, com validade.
Riscos e FMEAModos de falha, NPR e a comparação antes e depois. Permissão: Screen:Qualidade:Riscos
Equipamentos e calibraçãoInstrumentos, plano de calibração e resultados. Permissão: Screen:Qualidade:Equipamentos
Padrões, MSA e calendárioA metrologia que sustenta a medição.
IndicadoresOs números com numerador, denominador e meta. Permissão: Screen:Qualidade:Indicadores
CatálogosCritérios, defeitos e normas. Permissão: Screen:Qualidade:Config
ConfiguraçõesModo do módulo, fuso, prazos e a regra de verificação.
AssistenteO diagnóstico de por que a tela está vazia ou o gate não barra.

Painel

QualidadePainel

A etiqueta do modo no topo, seis indicadores clicáveis e os quadros Defeitos que mais aparecem no mês, Não conformidades críticas em aberto, Onde as não conformidades nascem e Próximas ações.

  1. Comece pela etiqueta do modo, no canto superior direito.
  2. Leia os indicadores: RNC críticas abertas, RNC com prazo estourado, Ações atrasadas, Bloqueios em aberto, FPY do mês e Custo da má qualidade.
  3. Ataque o topo do quadro Defeitos que mais aparecem no mês.
  4. Abra as RNC críticas e confira prazo e responsável.
  5. Use Onde as não conformidades nascem para descobrir o setor de origem.

O FPY mede quanto passou de primeira, sem retrabalho e sem reinspeção. FPY alto com muita gente refazendo trabalho é sinal de que o retrabalho não está sendo registrado.

O Pareto ordena o problema por frequência e por dinheiro: atacar o primeiro da lista resolve mais do que atacar os cinco últimos juntos.

Inspeções

QualidadeInspeçãoInspeções

Os cartões Em andamento agora, Barrados por ponto de controle e Histórico, com filtros de escopo, resultado e período.

  1. Resolva primeiro o cartão Barrados por ponto de controle, que é operação parada.
  2. Clique em Nova inspeção e escolha o Plano.
  3. Informe a Referência do que está sendo inspecionado e o Id da âncora.
  4. Informe o Tamanho do lote, ou deixe vazio para peça única.
  5. Clique em Abrir inspeção.

Se aparecer Sem plano publicado, o problema não é a inspeção: é que nenhum plano foi publicado. Sem régua, não há o que aplicar.

Responder a inspeção

  1. Em cada item, clique em Conforme, Não conforme ou Não se aplica.
  2. Nos itens de medida, digite o valor e clique em gravar, conferindo os limites ao lado.
  3. Nos itens de nota ou seleção, informe o valor e grave.
  4. Ao marcar não conforme, escolha o Defeito do catálogo, informe a Quantidade de peças afetadas e descreva o que viu.
  5. Clique em Evidência e anexe a foto com legenda quando o item exigir.
  6. Clique em Concluir e escreva a Observação final.

O defeito carrega a severidade e a categoria, e é dele que sai o Pareto. Registrar não conforme sem escolher o defeito registra o problema e não ensina nada ao relatório.

Planos, modelos e pontos de controle

QualidadeInspeçãoPlanos de inspeção

Os planos de inspeção com seções e critérios, os planos prontos para copiar e os pontos de controle que barram o processo.

  1. Monte o plano com as seções e os critérios do catálogo.
  2. Defina os pesos, a regra de aceite e a tabela de amostragem.
  3. Use os Planos prontos como ponto de partida.
  4. Publique o plano: só publicado ele pode ser usado numa inspeção.
  5. Crie os Pontos de controle nos momentos do processo em que a conferência acontece.
  6. Marque como bloqueante apenas o que realmente deve parar a operação.

O ponto de controle é o que liga a qualidade ao processo. Em modo espelho ele registra e não barra; em modo ativo, ele para o que não foi conferido.

Não conformidades e ações corretivas

QualidadeTratamentoNão conformidades

As RNC com dono, prazo, custo e análise de causa; e as ações corretivas, que só encerram com verificação de eficácia.

  1. Abra a RNC e confira escopo, prazo e responsável.
  2. Registre a análise de causa antes de propor qualquer ação.
  3. Crie a ação corretiva com responsável e prazo.
  4. Concluída a ação, alguém diferente faz a Verificar eficácia.
  5. Informe o Resultado, entre Eficaz, Parcialmente eficaz e Ineficaz, e a Evidência.

Marcar ineficaz gera uma ação nova apontando esta, em vez de reabrir a mesma. Reabrir apagaria o fato de que a primeira tentativa falhou, e é justamente esse fato que ensina alguma coisa.

A regra de que quem executa a ação não pode verificar a eficácia dela é a que mais gera resistência e a que mais protege o sistema. Sem ela, a eficácia vira autoavaliação.

Retrabalhos e reclamações

QualidadeTratamentoRetrabalhos

O registro de retrabalho com horas e custo, e as reclamações formais com prazo, categoria e vínculo com a RNC.

Retrabalhos

  1. Registre o retrabalho vinculado à RNC de origem.
  2. Informe as horas gastas com sinceridade.
  3. Confira o custo somado ao custo da má qualidade.

Hora de retrabalho não registrada é a forma mais comum de o custo da má qualidade parecer pequeno enquanto a margem some.

Reclamações

  1. Registre a reclamação com categoria e prazo.
  2. Acompanhe o prazo de resposta e de solução gravados na abertura.
  3. Clique em Abrir RNC a partir dela quando houver o que tratar.

A conversa com o cliente continua no canal de atendimento. Aqui ficam o prazo, a categoria e o vínculo com a RNC. Reclamação que só é respondida vira atendimento; reclamação que vira RNC vira aprendizado.

Auditorias e qualidade do fornecedor

QualidadeGovernançaAuditorias

As auditorias programadas por norma, com checklist e achados; e o IQF de cada fornecedor, calculado a partir das inspeções de recebimento.

Auditorias

  1. Programe a auditoria e escolha a Norma.
  2. Responda o checklist com conforme, não conforme, observação ou não se aplica.
  3. Em cada achado, registre a Evidência objetiva.
  4. Clique em virar RNC nos achados que exigem tratamento.

Achado sem evidência objetiva é opinião, e opinião não sustenta ação corretiva nem sobrevive à auditoria externa. Programar sem norma cria auditoria com checklist vazio.

Fornecedores

  1. Clique em Recalcular para gerar os índices da competência.
  2. Compare o IQF com a nota subjetiva dada por Compras.
  3. Registre restrições, que podem ser consultadas antes da emissão do pedido.

Quando os dois números divergem, a divergência é a informação. Fornecedor bem avaliado por Compras e com IQF baixo costuma ser um fornecedor simpático que entrega errado. E lista vazia não é erro: é que ninguém inspecionou recebimento no mês.

Documentos controlados e competências

QualidadeGovernançaDocumentos controlados

Os procedimentos com controle de versão e pendência de leitura; e a matriz de competências com validade por habilitação.

  1. Publique o documento e acompanhe as pendências de leitura criadas.
  2. Ao mudar o procedimento, publique nova versão e gere novas leituras.
  3. Na matriz, cadastre a competência com a validade da habilitação.
  4. Associe as pessoas e acompanhe o que está vencendo.

Quem leu a versão um não leu a versão dois. Um sistema que registra só "fulano leu o procedimento" mente no dia em que o procedimento muda.

Habilitação que não expira é habilitação que ninguém revisa. A validade sai da competência e não é digitada por pessoa, para evitar cada gestor dar um prazo diferente.

Riscos e FMEA

QualidadeGovernançaRiscos e FMEA

Os modos de falha com severidade, ocorrência e detecção, e o NPR resultante, antes e depois das ações.

  1. Liste os modos de falha do processo.
  2. Atribua severidade, ocorrência e detecção.
  3. Ordene pelo NPR e trate o topo da lista.
  4. Depois das ações, reavalie e compare o antes com o depois.

O número isolado não diz nada: um NPR de cento e vinte não é bom nem ruim em si. O que decide é a ordenação e a comparação entre o antes e o depois.

A detecção é a nota que as pessoas subestimam. Um defeito pequeno que ninguém percebe antes de chegar ao formando é mais perigoso que um defeito grande que a conferência sempre pega.

Equipamentos, calibração e indicadores

QualidadeGovernançaEquipamentos e calibração

Os equipamentos com plano de calibração e resultado; os padrões, MSA e calendário; e os indicadores com numerador e denominador guardados.

  1. Cadastre o equipamento com o intervalo de calibração.
  2. Registre cada calibração com o resultado.
  3. Nos indicadores, clique em Recalcular e confirme o período.
  4. Defina a meta de cada indicador, lembrando que percentual entra como fração.

Resultado reprovado não empurra a validade para frente e abre uma RNC automaticamente. Equipamento reprovado na calibração é uma não conformidade, não um lembrete para depois.

Cada linha de indicador guarda numerador e denominador, e não só o resultado: é isso que permite somar dois períodos corretamente. Somar percentuais e dividir por dois dá o número errado sempre que os dias têm volumes diferentes.

Sem meta, o indicador aparece sem cor. Um painel inteiro cinza normalmente não significa que está tudo bem, significa que ninguém definiu o que é bom.

Catálogos, configurações e assistente

QualidadeGovernançaCatálogos

Os critérios e defeitos, as normas, as configurações do módulo e o assistente de diagnóstico.

Catálogos

  1. Cadastre o critério, que é a pergunta da inspeção.
  2. Marque exige foto e reprovar aqui reprova a inspeção inteira quando couber.
  3. Cadastre o defeito, que é a resposta ruim, com categoria, severidade e custo típico.
  4. Marque abre RNC ao ser marcado quando o defeito exigir tratamento formal.
  5. Cadastre as normas com seus requisitos, que alimentam o checklist das auditorias.

Separar critério de defeito é o que faz o Pareto apontar alguma coisa. Se tudo virasse critério, o relatório diria apenas que a cor reprovou trinta vezes, sem dizer se foi ciano, magenta ou saturação.

O veto de "reprovar aqui reprova a inspeção inteira" deve ser usado com parcimônia: um plano com muitos vetos reprova tudo. E defeito crítico sempre abre RNC.

Configurações e assistente

  1. Escolha o modo do módulo e passe pelo espelho antes de ativar.
  2. Informe o Fuso horário da empresa.
  3. Defina os prazos padrão de RNC e de ação.
  4. Mantenha ligada a regra de que quem executa não verifica.
  5. Quando algo parecer não funcionar, abra o Assistente antes de qualquer outra tela.

Os prazos ficam gravados em cada RNC no momento da abertura: mudar aqui não reescreve o passado, porque cada RNC é cobrada pela régua que valia quando nasceu.

O assistente responde as duas perguntas da primeira semana: por que a tela está vazia e por que o gate não está barrando. Na maioria dos casos é uma de três coisas: nenhum plano publicado, nenhum ponto de controle criado, ou o módulo ainda em espelho.

Fluxos completos

Implantar a Qualidade sem parar a operação

  1. Monte os catálogos de critérios e defeitos, com custo típico estimado.
  2. Crie e publique um plano de inspeção para o processo mais crítico.
  3. Crie os pontos de controle e deixe o módulo em espelho.
  4. Rode algumas semanas, revise as reprovações e ajuste a régua.
  5. Defina as metas dos indicadores.
  6. Promova para ativo, com os bloqueantes escolhidos a dedo.

Do defeito ao problema resolvido

  1. Inspecione e registre o defeito pelo catálogo, com evidência.
  2. Trate a RNC gerada: dono, prazo e análise de causa.
  3. Crie a ação corretiva e registre o retrabalho com as horas reais.
  4. Concluída a ação, outra pessoa verifica a eficácia.
  5. Confira no Pareto do mês seguinte se o defeito caiu.

Erros comuns e o que fazer

SintomaCausa provávelO que fazer
O módulo "não está funcionando"Nenhum plano publicado, nenhum ponto de controle, ou módulo em espelho.Abra o Assistente: ele responde isso em uma tela.
O Pareto não ajuda a decidirNão conformidades registradas sem escolher o defeito.Exija o defeito do catálogo em toda marcação de não conforme.
FPY bonito e equipe refazendo trabalhoRetrabalho não registrado.Registre retrabalho com horas reais, vinculado à RNC de origem.
O mesmo problema volta todo mêsAções concluídas sem verificação de eficácia.Só encerre a ação depois da verificação, feita por outra pessoa.
O indicador do dia está erradoFuso horário não configurado.Informe o fuso da empresa nas configurações.
O painel está todo cinzaIndicadores sem meta definida.Defina as metas, lembrando que percentual entra como fração.
Tudo reprova na inspeçãoMuitos critérios marcados como veto.Reserve o veto para o que não admite exceção.

Perguntas frequentes

O que significa o módulo estar em espelho?

Que ele registra tudo e não trava nada. É o modo de implantação, em que se descobre que um ponto de controle está no lugar errado sem parar a produção.

Por que a ação corretiva não encerra quando eu concluo?

Porque o ciclo termina em verificar, não em concluir. Concluir prova que alguém trabalhou; verificar prova que o problema parou de acontecer.

Por que não posso verificar a eficácia da ação que eu mesmo executei?

Porque isso seria autoavaliação. O segundo par de olhos é a regra que mais protege o sistema.

Qual a diferença entre critério e defeito?

Critério é a pergunta da inspeção; defeito é a resposta ruim. Separar os dois é o que faz o Pareto apontar a causa, e não apenas o item reprovado.

O IQF do fornecedor está vazio. É erro?

Não. Ele sai das inspeções de recebimento: sem inspeção no período, não há índice.

Mudei os prazos padrão. As RNC antigas mudam junto?

Não. Cada RNC guarda os prazos do momento em que nasceu, e é cobrada pela régua que valia então.

Para onde ir depois

Padrão de Entrega

A auditoria da entrega do evento, durante o evento. Veja Padrão de Entrega.

Compras e Suprimentos

Onde o IQF do fornecedor interfere na decisão de compra. Veja Compras e Suprimentos.

PCP e Manufatura

O processo produtivo em que os pontos de controle vivem. Veja PCP e Manufatura.

Expedição

A conferência antes de o produto sair. Veja Expedição.

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Última revisão: 19 de setembro de 2026